Contrata pelo curriculo e demite pelo comportamento
- Christiano Guimarães

- 6 de abr.
- 2 min de leitura
Muita empresa ainda insiste no mesmo erro básico: contrata pelo currículo… e demite pelo comportamento. E o pior é que isso já não é falta de informação — é escolha errada mesmo.
O roteiro se repete. O candidato chega com experiência, cursos, certificações, discurso alinhado. Fala bem, se vende bem, parece pronto. A entrevista valida tudo isso. Papel bonito, conversa redonda. Contratado.
Só que ninguém testa o que realmente importa.
Ninguém coloca o sujeito sob pressão para ver como reage. Ninguém observa como ele se posiciona diante de um conflito. Ninguém avalia se ele sabe trabalhar em equipe ou se vai contaminar o ambiente. Ética? Fica no campo da suposição.
Aí vem a realidade.
Algumas semanas depois, começam os sinais. Dificuldade de relacionamento, postura defensiva, desalinhamento com a cultura, pequenas decisões questionáveis. Nada que aparecia no currículo. Nada que foi testado na entrevista. Mas tudo que impacta diretamente o dia a dia da empresa.
E aqui entra o ponto central: competência técnica não segura comportamento ruim por muito tempo. Pode até entregar resultado no curto prazo, mas o custo invisível começa a crescer. Clima ruim, desgaste da equipe, retrabalho, conflitos silenciosos.
No fim, a conta chega.
E quando chega, o discurso muda: “não deu certo”, “não se adaptou”, “não era o perfil”. Só esqueceram de um detalhe — ninguém testou o perfil antes de contratar.
O problema não está no candidato. Está no processo.
Selecionar alguém só pelo currículo é um atalho perigoso. Currículo mostra o que a pessoa sabe. Não mostra como ela age. E empresa não funciona só com conhecimento técnico — funciona com comportamento consistente no dia a dia.
A solução não é complexa. Só exige maturidade de gestão.
Se você quer reduzir erro de contratação, precisa parar de entrevistar e começar a simular. Criar situações reais. Colocar o candidato diante de problemas que ele vai enfrentar de verdade. Pedir para resolver. Observar como pensa, como decide, como se comunica.
Quer saber se trabalha bem em equipe? Coloque em dinâmica real. Quer entender como lida com pressão? Crie um cenário desconfortável. Quer avaliar ética? Traga situações cinzentas, onde a decisão não é óbvia.
É nesse momento que o candidato aparece de verdade.
Porque discurso qualquer um treina. Comportamento não.
Empresas que levam isso a sério erram menos na contratação, reduzem turnover e constroem times mais sólidos. Não porque acertam sempre — mas porque testam antes de apostar.
Se continuar contratando só pelo papel, o final já está escrito.
É como comprar um carro olhando só a lataria. Brilha na vitrine… até você descobrir que o motor não aguenta a estrada.
Christiano Guimarães


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